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Reafirmando o Nosso Compromisso: ONU Global Compact

Meio Ambiente &
Energia

Num discurso inovador na Assembleia Geral das Nações Unidas em 1989, a Primeira-Ministra da Britânica Margaret Thatcher alertou para uma grave ameaça ao meio ambiente e apelou a um tratado mundial sobre as alterações climáticas.

A Assembleia Geral da ONU havia conferido um carácter de urgência ao desenvolvimento sustentável, ao convocar uma Comissão Mundial independente para o Meio Ambiente e Desenvolvimento, presidida pela Primeira-Ministra norueguesa Gro Harlem Brundtland. Publicado em 1987, o relatório da Comissão Brundtland, denominado "O Nosso Futuro Comum", definiu uma agenda global a longo prazo para proteger e melhorar o ambiente para além do ano 2000.

Margaret Thatcher sublinhou a necessidade de pôr mãos-à-obra. "Degradar superfícies de terra, poluir as águas e lançar gases com efeito de estufa para a atmosfera a um ritmo sem precedentes" aumentou a perspectiva de um "dano irreparável para a atmosfera, para os oceanos, para a terra em si", declarou a Primeira-Ministra Britânica. Uma acção urgente só seria eficaz se fosse tomada a nível internacional, disse a responsável, e os países deviam contar com a indústria para fazer a pesquisa e encontrar as soluções. "As multinacionais têm de assumir a visão de longo prazo", acrescentou.

Um ano após o discurso, a Thatcher já não era Primeira-Ministra, mas as suas palavras revelaram-se proféticas. Durante as duas décadas seguintes, as organizações empresariais e não-governamentais apoiaram e aconselharam os governos a tomar as decisões correctas sobre o meio ambiente.

"Enquanto a gestão corporativa do ambiente e da sustentabilidade tem progredido nos últimos anos, o grupo de trabalho concluiu que um novo nível de supervisão será necessário nos próximos anos e décadas."

Este ano, a ONU concentra novamente as atenções através de uma nova Estratégia de Gestão Ambiental que será apresentada na Global Compact Leaders Summit 2010. A nova ferramenta estratégica para o ambiente baseia-se em três princípios ambientais da Global Compact e fornecerá às empresas orientações e medidas para os próximos anos.

Keith Saveal, Head Corporate Health Safety and Environment & Business Continuity, representou a Novartis na Cimeira Global Compact e fez parte do grupo de trabalho que elaborou a Estratégia de Gestão Ambiental. A nova estratégia reconhece que os desafios ambientais – desde as mudanças climáticas e consumo de água até aos ecossistemas e à biodiversidade - estão a crescer em escala e complexidade. Enquanto a gestão corporativa do ambiente e da sustentabilidade tem progredido nos últimos anos, o grupo de trabalho concluiu que um novo nível de supervisão será necessário nos próximos anos e décadas.

"A ferramenta de estratégia ambiental da Global Compact constitui um desafio a todas as empresas e requer um compromisso ao mais alto nível, uma abordagem visionária a longo prazo, uma comunicação forte e uma mobilização de toda a cadeia de abastecimento", afirmou Keith Saveal.

Na entrevista seguinte, Saveal aborda a estratégia ambiental da Novartis, o impacto do compromisso com a Global Compact até à data e os futuros desenvolvimentos.

Pode descrever a estratégia ambiental e corporativa da Novartis e os desafios que essa estratégia pretende adereçar?

A estratégia ambiental está inserida na Política de Cidadania Corporativa da Novartis. Especificamente, a Novartis pretende reduzir o consumo de energia melhorando a eficiência da sua utilização nas operações existentes, ao adoptar fontes de energia renováveis que sejam economicamente atraentes e desenvolver projectos de compensação de carbono para complementar as iniciativas internas. Em 2009, os sistemas de energia solar proporcionaram ganhos significativos com a triplicação da nossa capacidade de electricidade solar.

A nossa estratégia visa abranger todas as áreas do ambiente, não só na forma como usamos recursos limitados no mundo, mas também na redução da poluição. Isso leva-nos, por sua vez, a metas e acções específicas. Temos objectivos em várias áreas, incluindo dióxido de carbono, resíduos, compostos orgânicos voláteis, água e eficiência energética. A nossa meta de eliminar completamente os resíduos perigosos orgânicos enviados para aterros é rara entre as empresas.

Qual foi o catalisador do desenvolvimento desta estratégia?

É uma estratégia evolutiva – proveniente dos princípio geral de não causar danos através do nosso negócio. O nosso compromisso com a Global Compact tem sido um factor importante. Os três elementos ambientais da Global Compact estão integrados na política de Cidadania Corporativa da Novartis.

"Eu sou cientista por formação e a medição para mim é fundamental. A gestão de topo rege-se muito por números, nós precisamos de tornar os números ambientais tão reais e vivos como os números financeiros."

Que papéis desempenham o Chief Executive Officer e o Conselho de Administração na formação ou gestão das políticas e estratégias ambientais?

A resposta é que tudo passa por eles. Todas as políticas, estratégias e objectivos são aprovados pelo Comité Executivo da Novartis (ECN). A Saúde Corporativa, Segurança e Meio Ambiente reportam aos membros do ECN pelo menos trimestralmente alguns dos indicadores - e anualmente todos os indicadores que referi anteriormente. Além disso, o progresso relativo aos objectivos e a restante informação são incluídos no relatório anual da Novartis.

Há pouco mais de cinco anos atrás, o ECN decidiu que a Novartis deveria cumprir voluntariamente o Protocolo de Quioto. Além da melhoria da eficiência energética, também nos focámos nas compensações de carbono em termos de silvicultura. Adquirimos uma parcela de 34 quilómetros quadrados de antigas terras de pastagem na Argentina onde plantámos 3 milhões de árvores. Através deste projecto e de um outro no Mali, a Novartis irá reduzir 3 milhões de toneladas de dióxido de carbono até 2040.

O que diferencia as empresas "líderes" na gestão ambiental das que “seguem” as iniciativas de gestão ambiental?

Três elementos: uma visão de liderança, a medição combinada com ambição e a divulgação.
O primeiro componente é o compromisso de gestão com uma cultura assente em três pilares, a qual abrange as dimensões sociais e ambientais, bem como os critérios económicos para medir o sucesso organizacional. A vontade da administração de adoptar uma abordagem de negócio a longo prazo e evitar decisões de curto prazo é crucial.

Além disso, eu diria que as empresas líderes estão altamente envolvidas na medição das suas actividades. Se não medirmos uma actividade, não saberemos o que está a acontecer e certamente não poderemos geri-la.

Eu sou cientista por formação e a medição para mim é fundamental. A gestão de topo rege-se muito por números,  nós precisamos de tornar os números ambientais tão reais e vivos como os números financeiros. Assim que a medição esteja pronta a usar, é possível estabelecer metas de progresso ambiciosas nas áreas que interessam.

A última parte da demonstração de liderança é a divulgação: disponibilizar ao público aquilo que se está a fazer, porque isso demonstra responsabilidade e respeito por todas as pessoas envolvidas, internas e externas.

A estratégia de gestão ambiental da Novartis incorpora uma abordagem de ciclo de vida e/ou de cadeia de valor?

Esta é uma área onde podemos fazer mais. É claramente a próxima geração para nós. Mas já fizemos a medição das emissões de âmbito 1 e 2 e parte do 3. Fazemos avaliações do ciclo de vida dos nossos produtos estratégicos. Tomamos em consideração o risco dos produtos para o ambiente e fazemos testes de toxicidade ambiental pontuais mas também a longo prazo.

Conceber um produto farmacêutico é bastante complexo. Por exemplo, alguns dos nossos produtos têm várias etapas químicas, seguidas da formulação farmacêutica até á colocação em embalagens, processos que decorrem em vários locais pelo mundo inteiro, coordenados através de uma cadeia de abastecimento global. É um quadro complexo. Demos o ponto de partida nesta área e há um trabalho adicional a ser feito em relação à análise extensiva da cadeia de valor ou do ciclo de vida.

"Alguns dos nossos produtos têm várias etapas químicas, seguidas da formulação farmacêutica até á colocação em embalagens, processos que decorrem em vários locais pelo mundo inteiro, coordenados através de uma cadeia de abastecimento global."

Que tipo de políticas públicas teve maior impacto na transformação das práticas de gestão ambiental da Novartis?

As políticas internacionais, como o Protocolo de Quioto, têm um grande impacto e induziram a uma conduta de maior eficiência energética. Com Quioto, numa base voluntária, estabelecemos as metas de emissão de gases com efeito de estufa para toda a empresa. Sem Quioto, com o qual nos comprometemos em 2005, não teríamos os objectivos que temos. Anteriormente, o Protocolo de Montreal, o qual abordava as substâncias que empobrecem a camada de ozono, também teve um impacto significativo.

A legislação nacional tem um impacto menor, porque geralmente operamos por todo o mundo acima dos padrões legais mínimos. Acreditamos que operar perto ou sob a linha da legalidade irá conduzir ao fracasso periódico, pois algum dia a tecnologia ou as pessoas irão falhar e isso poderá resultar em estar fora da conformidade legal. Portanto, temos de definir os nossos limites acima dos requisitos legais.

Além do mais, como uma empresa internacional, não podemos evidentemente operar sob padrões diferentes em locais diferentes. Dito isto, gostaria de acrescentar que 2+2=4 e 3+1=4, ou seja, podemos ter os mesmos objectivos, mas podemos alcançá-los de maneiras diferentes. Por exemplo, na Suíça, utilizamos uma série de instrumentos muito sofisticados. Em outros países, pelo contrário, podemos criar três ou quatro verificações físicas e humanas.

1 O âmbito 1 descreve gases com efeito de estufa emitidos directamente a partir das nossas próprias operações. O âmbito 2 é a emissão de gases de efeito estufa gerados a partir da energia adquirida. O âmbito 3 diz respeito a emissões indirectas para actividades fora dos limites da empresa que não estejam incluídas no âmbito 2

De que forma acha ser possível que mais empresas, incluindo as de pequena e média dimensão, possam colaborar com instituições governamentais locais, estatais, federais e internacionais para desenvolver políticas proactivas e directrizes ambientais?

Essa é uma pergunta difícil. Acredito que para as pequenas ou médias empresas, a oportunidade terá de surgir provavelmente através de uma combinação de requisitos legais e pressão social. A única alternativa passa por haver uma gestão visionária nessas empresas.

As lacunas de compreensão poderiam remeter para o ensino universitário. Por exemplo, se os aspectos ambientais fossem incluídos em todos os programas de MBA, então os futuros líderes teriam uma maior consciência dos riscos potenciais a longo prazo das actividades empresariais. A Global Compact tem obviamente um papel importante a desempenhar. Mas até agora, não foram muitas as pequenas e médias empresas que se comprometeram com a Global Compact.

Pessoalmente, acredito que dentro do nosso sistema de ensino é preciso incentivar mais o pensamento a longo prazo. A sustentabilidade começa com o financiamento - sabemos que sem lucro não se pode ter um negócio. Mas a lógica financeira não é suficiente – os aspectos sociais e ambientais também são essenciais para o sucesso do negócio a longo prazo.

"Há 25 anos atrás, ninguém esperava que as emissões de dióxido de carbono se tornassem no problema que é hoje. Foram os problemas relativos à camada de ozono que levaram ao Protocolo de Montreal – naquela época o dióxido de carbono não era uma questão central. Então a pergunta é quais os problemas que terão importância primordial daqui a 25 anos?"

Como é que a Novartis identifica as questões e os desafios vindouros da gestão ambiental?

É muito importante estar um passo à frente. Como já referi, o ambiente aquático poderá ser um desafio futuro no que respeita aos produtos farmacêuticos no ambiente. Também a nanotecnologia é uma área importante de futuro, porque a nanociência pode ser muito útil nos sistemas de distribuição de medicamentos.
Mas susbsistem preocupações sobre a toxicidade e a persistência dos materiais.

Há 25 anos atrás, ninguém esperava que as emissões de dióxido de carbono se tornassem no problema que é hoje. Foram os problemas relativos à camada de ozono que levaram ao Protocolo de Montreal – naquela época o dióxido de carbono não era uma questão central. Então a pergunta é quais os problemas que terão importância primordial daqui a 25 anos? Esperemos que o dióxido de carbono não seja um deles – isto porque, entretanto, alguma forma de liderança deve emergir. A escassez de água pode-se tornar no próximo grande problema.

Como antevê a evolução do quadro ambiental da Global Compact no futuro?

A estratégia de Supervisão Ambiental da Global Compact vai obrigar as empresas a rever a forma como gerem todos os aspectos do ambiente, incluindo as alterações climáticas, as emissões e a gestão de resíduos, o consumo de recursos, a conservação da água e a protecção da biodiversidade. Esta estratégia irá reflectir-se nas nossas próprias operações por todo o mundo, bem como com os fornecedores e clientes. Para fazer isto a sério vai ser exigido muito esforço e trabalho de equipa entre a Novartis e as outras organizações, mas a recompensa é significativa - um melhor ambiente para as gerações futuras.

 

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